Ontem, uma velhinha cansada e creio com mal de parkison, caminhava pela rua quase deserta, só e desprotegida. Serena e sensível ao ponto de exclamar pro nada: Borboleta! Que lhe passa próximo a voar e voar. Quer um sorvete de limão, ouvi bem. De limão bem gelado. E pede ao moço ao lado no banco da praça onde momentaneamente sentou para descansar. Compra-me um sorvete de limão bem geladinho? O moço simpático e solícito ao seu lado tem outros planos. E pegando-lhe a bolsa furta com quase delicadeza, seus pobres pertences. Talvez um óculos de aro, uma jóia antiga e sem cor, os benditos remédios da pressão. Vejo de bem perto, ou melhor, na frente deles, pois estou do outro lado da calçada digo, da plateia. O homem insistentemente toca suavemente o ombro daquela velhinha tremula fazendo-a sentar. Senta e levanta quase, algumas vezes. E por fim, num momento já mais que cansada, a velhinha sai de cena indo sabe-se lá pra onde. (para Max e Yalito Rin Rum, que no improviso do teatro viveram esta cena).
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